sexta-feira, 11 de maio de 2007

Neologismos e estrangeirismos

Em outubro de 1997, tivemos em Brasília o Seminário Agronegócio de Exportação. O Itamaraty, patrocinador do evento, exigiu o uso de “Agronegócio” em vez de Agrobusiness, que era o termo preferido pelos empresários do setor. Ponto para o Itamaraty.

Sem querer ser purista, devemos defender a Língua Portuguesa. O uso desenfreado dos chamados "estrangeirismos", aportuguesados ou não, muitas vezes me parece modismo. Não vejo necessidade alguma de usarmos o infeliz do startar ou mesmo estartar. Por que não iniciar, começar ou principiar?

Outra desgraça é o paper. Além de mal traduzido, ainda está sendo usado num sentido muito amplo. Tudo virou paper. Quando me pedem um paper, não sei se é um relatório, um fax, uma carta ou uma proposta. Só falta o paper...

Também sugiro a substituição de uma péssima performance por um melhor desempenho sexual. É lógico que existem alguns estrangeirismos inevitáveis. Software e marketing (há um dicionário que já registra a forma márquetim), por exemplo, são palavras consagradas entre nós. Já tentamos traduzi-las e depois aportuguesá-las. Luta em vão. São palavras que todos nós usamos.

Algumas palavras suscitam polêmica, como é o caso de deletar e acessar. São palavras facilmente aportuguesadas e que, no meu modo de ver, são restritas à área de informática.

Há estrangeirismos cujas traduções são questionáveis ou que não foram aceitos pelos falantes. know how e impeachment são exemplos disso. Know how seria "conhecimento ou tecnologia", mas eu tenho a certeza de que "quem vende know how cobra mais caro". No caso do impeachment ocorre algo curioso. Na Constituição Brasileira, a palavra é impedimento. Quando se começou a falar sobre o impeachment do Collor, nós bem que tentamos usar o impedimento. Mas não deu. Na época, eu tive a sensação de que impedimento era pouco, o que se queria era impeachment.

Outro problema difícil é o aportuguesamento. Há casos consagrados como futebol, abajur, espaguete, grife e outros mais. Entretanto, há os problemáticos: xampu ou shampoo? A forma xampu já é bastante usada quando nos referimos aos xampus em geral. Porém, nos rótulos dos shampoos, continua a forma estrangeira. Talvez os fabricantes temam que os brasileiros pensem que se trate de algum xampu vagabundo. Outro exemplo é stress. Eu prefiro estresse, por ser facilmente aportuguesado e, principalmente, para ser coerente com a forma derivada: estressado.

Por outro lado, creio que o aportuguesamento xou, que já está registrado em um dicionário, não será aceito pelos falantes. Leiaute é outro aportuguesamento que dificilmente será usado. A forma inglesa é mais poderosa.

Como você pôde observar, é muito difícil criar uma regra. Cada caso merece uma análise individual. Entretanto, uma regra podemos seguir: para qualquer novo estrangeirismo, primeiro devemos buscar uma palavra correspondente em português. E antes de usarmos a forma estrangeira, ainda devemos tentar o aportuguesamento.