A ortografia da língua portuguesa sofreu, através dos séculos, uma série de modificações, que ora a afastavam, ora a aproximavam do padrão ideal em que cada letra representa sempre o mesmo fonema e cada fonema corresponde a uma única letra. O sistema ortográfico ideal seria aquele em que cada letra representasse um único fonema, e cada fonema fosse representado por uma única letra. Na realidade, em maior ou menor grau, todas as línguas estão longe desse sistema ideal.
Todo e qualquer sistema ortográfico é uma convenção. Sua base pode ser histórica (leva em conta a etimologia, isto é, a origem da palavra), fonética (leva em conta os fonemas, ou seja, os sons) ou mista (uma mistura de critérios fonéticos e históricos). O sistema ortográfico vigente em nosso país é o misto, pois se prende à etimologia e ao som.
Portanto, escrever corretamente não é tarefa fácil, uma vez que um mesmo fonema pode ser representado por mais de uma letra, e uma letra pode representar mais de um fonema.
O sistema ortográfico em vigor no Brasil foi aprovado pela ABL em 12 de agosto de 1943 e simplificado pela Lei nº. 5.765, de 18 de dezembro de 1971, que limitou o emprego do acento circunflexo diferencial e o uso do trema e aboliu o acento gráfico que marcava a sílaba subtônica. Essa simplificação ortográfica só foi adotada em Portugal em 1973.
Essa última reforma foi uma estupidez. Eliminou o acento diferencial sem saber que todos os acentos são diferenciais: “secretária” tem acento para distinguir de “secretaria”, “médico” para diferençar de “medico”, entre outros.
REFORMA ORTOGRÁFICA DE 1990
O ruim da reforma de 1990 é que pretendia unificar a ortografia de língua portuguesa e não conseguiu esse objetivo, porque tinha um conceito errado de ortografia, que deve revelar de qual palavra se trata e não necessariamente indicar a pronúncia dela. Com isso, Portugal continua escrevendo “amámos” para o perfeito e “académico” e “tónico”.
O certo era Brasil e Portugal tirarem o par ou ímpar e começar a ver as diferenças vez por vez. Se o Brasil passasse a escrever “amámos”, Portugal passaria a escrever “académico” e
“tônico”. Para mim, esse é o maior defeito da reforma de 1990.
Quando o Ministério da Educação, nos anos 80, começou a lidar com essa tentativa de nova reforma ortográfica, os professores Mansur Guérios e Geraldo Mattos Gomes dos Santos foram solicitados a dar as suas opiniões. Eles reduziram a duas regras: acentuar as oxítonas em a, e, o e acentuar o hiato que confronta com um ditongo. Fim. Para falantes nativos não haveria quem lesse errado: “chamei o medico” / “subiu na arvore” / “comprei um tenis”.
É importante salientar que ela só está no papel, ou seja, não entrou em vigor. Portanto, vale a reforma vigente. E não esqueça: o trema não caiu, por enquanto.
Todo e qualquer sistema ortográfico é uma convenção. Sua base pode ser histórica (leva em conta a etimologia, isto é, a origem da palavra), fonética (leva em conta os fonemas, ou seja, os sons) ou mista (uma mistura de critérios fonéticos e históricos). O sistema ortográfico vigente em nosso país é o misto, pois se prende à etimologia e ao som.
Portanto, escrever corretamente não é tarefa fácil, uma vez que um mesmo fonema pode ser representado por mais de uma letra, e uma letra pode representar mais de um fonema.
O sistema ortográfico em vigor no Brasil foi aprovado pela ABL em 12 de agosto de 1943 e simplificado pela Lei nº. 5.765, de 18 de dezembro de 1971, que limitou o emprego do acento circunflexo diferencial e o uso do trema e aboliu o acento gráfico que marcava a sílaba subtônica. Essa simplificação ortográfica só foi adotada em Portugal em 1973.
Essa última reforma foi uma estupidez. Eliminou o acento diferencial sem saber que todos os acentos são diferenciais: “secretária” tem acento para distinguir de “secretaria”, “médico” para diferençar de “medico”, entre outros.
REFORMA ORTOGRÁFICA DE 1990
O ruim da reforma de 1990 é que pretendia unificar a ortografia de língua portuguesa e não conseguiu esse objetivo, porque tinha um conceito errado de ortografia, que deve revelar de qual palavra se trata e não necessariamente indicar a pronúncia dela. Com isso, Portugal continua escrevendo “amámos” para o perfeito e “académico” e “tónico”.
O certo era Brasil e Portugal tirarem o par ou ímpar e começar a ver as diferenças vez por vez. Se o Brasil passasse a escrever “amámos”, Portugal passaria a escrever “académico” e
“tônico”. Para mim, esse é o maior defeito da reforma de 1990.
Quando o Ministério da Educação, nos anos 80, começou a lidar com essa tentativa de nova reforma ortográfica, os professores Mansur Guérios e Geraldo Mattos Gomes dos Santos foram solicitados a dar as suas opiniões. Eles reduziram a duas regras: acentuar as oxítonas em a, e, o e acentuar o hiato que confronta com um ditongo. Fim. Para falantes nativos não haveria quem lesse errado: “chamei o medico” / “subiu na arvore” / “comprei um tenis”.
É importante salientar que ela só está no papel, ou seja, não entrou em vigor. Portanto, vale a reforma vigente. E não esqueça: o trema não caiu, por enquanto.