TEMA ABORDADO PELA AUTORA
Leyla Perrone-Moyses traça e explora o contexto do desinteresse pela literatura, que cada vez mais cede lugar aos departamentos de “estudos culturais” nas universidades. A autora afirma que, nestes departamentos, a literatura importa mais por ser expressão de uma determinada minoria sexual, étnica, etc. e menos como reação a esse movimento. E que, por outro lado, os críticos de orientação conservadora defendem, por sua vez, uma literatura que represente os valores morais tradicionais.
COMPETÊNCIA SIGNIFICATIVA DA AUTORA
Leyla Perrone-Moyses é professora emérita da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. É autora das obras Fernando Pessoa: Aquém do Eu, Além do Outro; Vinte Luas; Do Positivismo à Desconstrução: Idéias Francesas na América; Flores da Escrivaninha: Ensaios e Altas literaturas: escolha e valor na obra crítica de escritores modernos.
IMPORTÂNCIA DO TEMA
Numa época em que a cultura de massa produz textos com a mesma rapidez e superficialidade da publicidade, são imprescindíveis olhares críticos sobre os rumos da literatura. Neste cenário, o confronto entre crítica moderna e pós-moderna vem enriquecer nossos estudos literários e ampliar nossas perspectivas a respeito dos rumos de nossa literatura.
TEMA ABORDADO NA OBRA
Em Altas Literaturas: escolha e valor na obra crítica de escritores modernos, Leyla Perrone-Moyses nos conduz pelo universo das preferências literárias de um elenco consagrado de escritores. O tema central de sua obra é a formação dos cânones literários ocidentais e o exame dos critérios que nortearam a escolha desses escritores-críticos modernos. A autora, como dissemos, recorreu às preferências literárias de um grupo muito seleto de escritores e intelectuais: Ítalo Calvino, T.S. Eliot e Borges, entre outros - para construir uma espécie de guia da literatura ocidental. Além disso, Perrone-Moyses empreende uma vigorosa defesa da leitura literária numa época em que esta considera que o livro parece não ter o destaque que merece. Na citada obra, a autora, revela pessimismo com relação à situação da literatura. De acordo com esta, a cultura de massa tornou-se industrial em escala planetária, havendo, com isso, a proliferação de produtos padronizados alinhados com uma demanda de baixa qualidade estética que essa indústria cria e satisfaz.
A autora argumenta que os valores estético-literários são diária e progressivamente vencidos por uma cultura de massa embrutecedora, ou transformados em mercadoria de grife na indústria cultural. A alta cultura, a criação desinteressada, ou interessada em ampliar o conhecimento e a experiência humanos, em aguçar os meios de expressão, em despertar o senso crítico, em imaginar outra realidade, tudo isso está
ameaçado de extinção (p. 206).
HISTÓRICO DO TEMA
Desde o início da obra, a autora faz questão de ressaltar o quanto o projeto de estabelecimento de um cânone literário, não a partir das noções acadêmicas, mas dos princípios da modernidade, é tributário da contribuição teórica de Ezra Pound. E isto não apenas porque este se encontra na linha direta de inspiração de alguns dos outros escritores citados, Haroldo de Campos e Eliot, mas porque sua obra sintetiza alguns princípios fundamentais para o estabelecimento de um cânone segundo uma concepção moderna: o ideal pedagógico de transmissão dos valores literários às novas gerações e a concepção da história da literatura não como um passado estático, um relicário de obras e autores mortos, mas como uma fonte viva em que o escritor contemporâneo busca inspiração de forma ativa e não passiva.
A tradição, segundo essa concepção, como podemos ver, não forma um conjunto de modelos que devem ser seguidos de maneira conformista, mas é recriada incessantemente pelos escritores, que descobrem e redescobrem os autores do passado à luz da sua experiência atual, acrescendo-os de novos sentidos. Perrone-Moyses esclarece que o cânone dos escritores-críticos não tem a pretensão de se impor como “o cânone”, mas que representa escolhas feitas a partir de experiências singulares, nas quais se fazem presentes critérios comuns as suas obras, como a maestria técnica, a concisão, a exatidão, a novidade, etc. A autora argumenta também que é a partir de concepções muitas vezes distintas que os escritores-críticos constroem suas referências de autores do passado com os quais se identificam e cuja leitura pode enriquecer os leitores contemporâneos. No próprio discurso da autora encontramos presente uma escolha que não camufla sua posição: para ela, a modernidade, ao contrário do que afirmam os críticos ditos pós-modernos, ainda não se esgotou e a utopia literária se mantém viva, independentemente da falência das utopias socialistas totalitárias.
HISTÓRIA LITERÁRIA E JULGAMENTO DE VALOR
No capítulo História literária e julgamento de valor, Leyla Perrone-Moyses aborda as concepções teóricas dos autores ditos pós-modernos, os desconstrucionistas e dos “politicamente corretos”.
A autora disseca com maestria algumas proposições vagas que afirma encontrar propaladas em tom pomposo e com grande destaque na mídia por autores cujos argumentos não resistiriam a uma abordagem mais rigorosa. Perrone-Moyses defende ainda que certos pensadores contemporâneos comportam-se como se fossem antenas que tentam perceber além do seu tempo: vivem correndo sempre atrás das novidades, tentando desesperadamente parecer atualizados, aplaudindo entusiasticamente qualquer produto da cultura de massas e toda e qualquer inovação tecnológica, como a Internet, e produzindo textos com a mesma rapidez e superficialidade da publicidade.
ASPECTOS RELEVANTES DA OBRA
A autora assume uma posição de defesa da literatura e do seu poder de formar e transformar a partir do cânone literário estabelecido por oito escritores modernos, a quem ela chama de escritores-críticos pelo papel central que desempenharam suas obras na produção literária: Ezra Pound, T. S. Eliot, Jorge Luís Borges, Octavio Paz, Ítalo Calvino, Michel Butor, Haroldo de Campos e Philippe Sollers.
RECOMENDAÇÃO DA OBRA
Inúmeras e ricas são as discussões que este volume traz à tona a respeito dos cânones literários, da cultura de massa, modernismo e pós-modernismo, cuja leitura com certeza interessa aos amantes e estudiosos da literatura.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
PERRONE-MOISÉS, Leyla. História literária e julgamento de valor. In: Altas literaturas: escolha e valor na obra crítica de escritores modernos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
Leyla Perrone-Moyses traça e explora o contexto do desinteresse pela literatura, que cada vez mais cede lugar aos departamentos de “estudos culturais” nas universidades. A autora afirma que, nestes departamentos, a literatura importa mais por ser expressão de uma determinada minoria sexual, étnica, etc. e menos como reação a esse movimento. E que, por outro lado, os críticos de orientação conservadora defendem, por sua vez, uma literatura que represente os valores morais tradicionais.
COMPETÊNCIA SIGNIFICATIVA DA AUTORA
Leyla Perrone-Moyses é professora emérita da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. É autora das obras Fernando Pessoa: Aquém do Eu, Além do Outro; Vinte Luas; Do Positivismo à Desconstrução: Idéias Francesas na América; Flores da Escrivaninha: Ensaios e Altas literaturas: escolha e valor na obra crítica de escritores modernos.
IMPORTÂNCIA DO TEMA
Numa época em que a cultura de massa produz textos com a mesma rapidez e superficialidade da publicidade, são imprescindíveis olhares críticos sobre os rumos da literatura. Neste cenário, o confronto entre crítica moderna e pós-moderna vem enriquecer nossos estudos literários e ampliar nossas perspectivas a respeito dos rumos de nossa literatura.
TEMA ABORDADO NA OBRA
Em Altas Literaturas: escolha e valor na obra crítica de escritores modernos, Leyla Perrone-Moyses nos conduz pelo universo das preferências literárias de um elenco consagrado de escritores. O tema central de sua obra é a formação dos cânones literários ocidentais e o exame dos critérios que nortearam a escolha desses escritores-críticos modernos. A autora, como dissemos, recorreu às preferências literárias de um grupo muito seleto de escritores e intelectuais: Ítalo Calvino, T.S. Eliot e Borges, entre outros - para construir uma espécie de guia da literatura ocidental. Além disso, Perrone-Moyses empreende uma vigorosa defesa da leitura literária numa época em que esta considera que o livro parece não ter o destaque que merece. Na citada obra, a autora, revela pessimismo com relação à situação da literatura. De acordo com esta, a cultura de massa tornou-se industrial em escala planetária, havendo, com isso, a proliferação de produtos padronizados alinhados com uma demanda de baixa qualidade estética que essa indústria cria e satisfaz.
A autora argumenta que os valores estético-literários são diária e progressivamente vencidos por uma cultura de massa embrutecedora, ou transformados em mercadoria de grife na indústria cultural. A alta cultura, a criação desinteressada, ou interessada em ampliar o conhecimento e a experiência humanos, em aguçar os meios de expressão, em despertar o senso crítico, em imaginar outra realidade, tudo isso está
ameaçado de extinção (p. 206).
HISTÓRICO DO TEMA
Desde o início da obra, a autora faz questão de ressaltar o quanto o projeto de estabelecimento de um cânone literário, não a partir das noções acadêmicas, mas dos princípios da modernidade, é tributário da contribuição teórica de Ezra Pound. E isto não apenas porque este se encontra na linha direta de inspiração de alguns dos outros escritores citados, Haroldo de Campos e Eliot, mas porque sua obra sintetiza alguns princípios fundamentais para o estabelecimento de um cânone segundo uma concepção moderna: o ideal pedagógico de transmissão dos valores literários às novas gerações e a concepção da história da literatura não como um passado estático, um relicário de obras e autores mortos, mas como uma fonte viva em que o escritor contemporâneo busca inspiração de forma ativa e não passiva.
A tradição, segundo essa concepção, como podemos ver, não forma um conjunto de modelos que devem ser seguidos de maneira conformista, mas é recriada incessantemente pelos escritores, que descobrem e redescobrem os autores do passado à luz da sua experiência atual, acrescendo-os de novos sentidos. Perrone-Moyses esclarece que o cânone dos escritores-críticos não tem a pretensão de se impor como “o cânone”, mas que representa escolhas feitas a partir de experiências singulares, nas quais se fazem presentes critérios comuns as suas obras, como a maestria técnica, a concisão, a exatidão, a novidade, etc. A autora argumenta também que é a partir de concepções muitas vezes distintas que os escritores-críticos constroem suas referências de autores do passado com os quais se identificam e cuja leitura pode enriquecer os leitores contemporâneos. No próprio discurso da autora encontramos presente uma escolha que não camufla sua posição: para ela, a modernidade, ao contrário do que afirmam os críticos ditos pós-modernos, ainda não se esgotou e a utopia literária se mantém viva, independentemente da falência das utopias socialistas totalitárias.
HISTÓRIA LITERÁRIA E JULGAMENTO DE VALOR
No capítulo História literária e julgamento de valor, Leyla Perrone-Moyses aborda as concepções teóricas dos autores ditos pós-modernos, os desconstrucionistas e dos “politicamente corretos”.
A autora disseca com maestria algumas proposições vagas que afirma encontrar propaladas em tom pomposo e com grande destaque na mídia por autores cujos argumentos não resistiriam a uma abordagem mais rigorosa. Perrone-Moyses defende ainda que certos pensadores contemporâneos comportam-se como se fossem antenas que tentam perceber além do seu tempo: vivem correndo sempre atrás das novidades, tentando desesperadamente parecer atualizados, aplaudindo entusiasticamente qualquer produto da cultura de massas e toda e qualquer inovação tecnológica, como a Internet, e produzindo textos com a mesma rapidez e superficialidade da publicidade.
ASPECTOS RELEVANTES DA OBRA
A autora assume uma posição de defesa da literatura e do seu poder de formar e transformar a partir do cânone literário estabelecido por oito escritores modernos, a quem ela chama de escritores-críticos pelo papel central que desempenharam suas obras na produção literária: Ezra Pound, T. S. Eliot, Jorge Luís Borges, Octavio Paz, Ítalo Calvino, Michel Butor, Haroldo de Campos e Philippe Sollers.
RECOMENDAÇÃO DA OBRA
Inúmeras e ricas são as discussões que este volume traz à tona a respeito dos cânones literários, da cultura de massa, modernismo e pós-modernismo, cuja leitura com certeza interessa aos amantes e estudiosos da literatura.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
PERRONE-MOISÉS, Leyla. História literária e julgamento de valor. In: Altas literaturas: escolha e valor na obra crítica de escritores modernos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.