sábado, 22 de dezembro de 2007

Um caso de hifenização

Muitos têm dúvida quanto ao uso adequado do hífen. Também conhecido como traço-de-união. O saudoso professor Adriano da Gama Kury chamava tal sinal diacrítico de “tracinho trapalhão”.

Mas por que seu uso é tão complexo, duvidoso? Ora, o problema está justamente no excesso de regras e, sobretudo, na falta de critério ao elaborar essas regras.
Em princípio, a melhor saída é sempre consultar um bom dicionário ou uma boa gramática. Porém, infelizmente, não é o bastante. Esses manuais não contemplam todos os casos. E sempre estão desatualizados.

Há estudiosos sérios que já tentaram resolver o problema, contudo não otiveram êxito. Na língua espanhola, esse tracinho não existe mais, isto é, foi abolido. Como no portugês, o inglês e o francês vivem com o mesmo problema.
Só existem regras claras para os casos de prefixação. Já para as demais situações... Muitas vezes, não se trata de um caso de norma, mas de bom senso.
Enfim, discutir o correto uso do hífen é como caminhar num campo minado.

Este mês trago um caso simples, mas que gera dúvida. Uma vez que em se tratando de uso, a forma que predomina é a errada.

Segundo a norma, o prefixo sub- liga-se por hífen quando a palavra seguinte começar por b e r: sub-bibliotecário, sub-rotina. Portanto, nos demais casos, une-se normalmente à palavra seguinte sem o hífen: subgerente, subsolo, etc.
Até então nenhum problema. A dúvida surge quando o segundo elemento é um numeral cardinal: 17, 20, etc.

Sub-17, sub-20 ou sub17, sub20? A resposta é a própria analogia. É sabido que tal prefixo só pode hifenizar-se quando a palavra seguinte iniciar por b ou r. Nos demais casos, a palavra será grafada sem hífen, junta, e jamais separada.
O mesmo raciocínio vale para os numerais: sub17, sub20. Pronto.

Em tempo: Como já mencionei, o uso contraria a norma. A forma que predomina nos meios de comunicação é a hifenizada, ou seja, aquela que não possui amparo gramatical.