segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Acordo Ortográfico: o que muda? (V)

Acentuação gráfica: acento diferencial

• Como era
O Decreto-Lei 5.765, de 18 de dezembro de 1971, aboliu o acento diferencial de timbre. Mantendo apenas na forma verbal pôde (pretérito perfeito do indicativo) para distinguir de pode (presente do indicativo). O contexto das estruturas não é suficiente para fazer a diferenciação do sentido. Por isso ele foi mantido na palavra pôde. Veja nos exemplos abaixo que se não houvesse o acento gráfico, não se poderia fazer a distinção do tempo em que ocorreu a ação.

Ele não pode ficar aqui.
Ele não pôde ir ao trabalho pela manhã.


Já o acento diferencial, que é usado para diferenciar palavras iguais na escrita e na pronúncia (homônimas), foi mantido em quatro verbos e quatro substantivos: pôr, pára, pélo e côa; pólo, pólo, pêlo, pêra (com acento somente no singular).
Em princípio, muitos casos de acentuação gráfica são diferenciais: secretária (para distinguir de secretaria), fábrica (para distinguir de fabrica, forma verbal), país (para distinguir de pais), entre outros.

• Como fica
Com exceção das formas verbais pôde (que é um homógrafo imperfeito) e pôr (verbo), todas elas deixam de receber o acento gráfico. É importante lembrar-se das formas verbais têm (terceira pessoa do plural do presente do indicativo) e vêm (também terceira pessoa do plural do presente do indicativo), que não perderam o acento, para diferenciar de seus pares: tem e vem, ambos pertencentes à terceira pessoa do singular do presente do indicativo.

• Comentário
Certamente a ausência do acento gráfico nos oito vocábulos citados não trará problemas de compreensão, uma vez que o contexto linguístico encarregar-se-á da geração do significado da sentença.