Muitos tem me perguntado sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa em dezembro de 1990 e ratificado pelo Brasil e por outros três países de língua portuguesa.
Hífen: dia-a-dia ou dia a dia?
Antes da nova ortografia fazia-se distinção entre estas duas estruturas. A primeira era um substantivo composto (com hífen); a segunda, uma locução adverbial (sem hífen). Portanto, o que as distinguia era o hífen, além, é claro, do contexto linguístico.
• Como era
No dia-a-dia daquela indústria observavam-se mudanças de comportamento.
As mudanças ocorrem dia a dia.
• Como fica
De acordo com a nova ortografia, se o vocábulo composto apresentar elementos de ligação, perderá o hífen: pega pra capar, maria vai com as outras, pau de arara, leva e traz, mula sem cabeça, cabeça de vento, pé de moleque etc. Mas, se for espécie botânica ou zoológica, o hífen será mantido: não-me-toques (planta); no sentido de melindres, perde o hífen: não me toques. O mesmo ocorre com bico-de-papagaio (planta), porém bico de papagaio (calcificação óssea ou nariz recurvado) sem hífen.
No dia a dia daquela indústria observavam-se mudanças de comportamento.
As mudanças ocorrem dia a dia.
• Comentário
Agora a distinção é feita apenas pelo contexto linguístico, pois o substantivo não deverá ser mais hifenizado.