Sem dúvida nenhuma, o correto emprego do hífen continua complexo. Mesmo após o Acordo. No que diz respeito aos prefixos e a falsos prefixos, há uma certa sistematização. Agora, em relação aos compostos, seu emprego torna-se bastante obscuro. A própria Academia Brasileira de Letras não se entende. Para constatar o que digo, consulte algumas páginas do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, VOLP. Você se assustará! Sim, caro leitor, o VOLP diz A; os dicionários, B. Assim fica difícil, não é?
Vou citar um exemplo de incoerência, somente um. O Acordo diz que compostos que designam espécies botânicas e zoológicas, mesmo que ligados por preposição ou outro elemento, são hifenizados. Vejamos: copo-de-leite (flor), lesma-de-conchinha, etc.
Agora, por que o VOLP não faz menção ao vocábulo dona de casa (que deve ser grafado com hifens!)? O Houaiss registra assim, sem os hifens. Já o Aurélio registra dona-de-casa, com hifens. Por quê?
Dona-de-casa (com hifens) designa espécie botânica ou zoológica, caro leitor? Tenho certeza que não.
Não é à toa que muitos dizem com convicção quão difícil e complicada é a língua portuguesa.
Mas isso é assunto para o próximo escrito.